sábado, 18 de dezembro de 2010

Ele viu ela se queimar, e deixar o isqueiro cair ao chão,
e sincera mente pensou em cuidá-la mas tudo o que via não parecia real.
Tudo que ouvia, era apenas o silêncio do fato dela não poder ouvi-lo.
Ela o abandonou, e as lágrimas  foram de encontro ao vento, se perderam e se misturaram as gotas de chuva.
Ela ainda lembra da mancha em baixo do carpete vermelho,
a mancha do sangue ali derramado.
Uma história um pouco antiga, um pouco mais triste.
Mas todos vemos o que existe ali.
Todos sabem que é seu sangue ali derramado,
que é sua dor ali obscurecida nos sorrisos falsos daqueles que não o amam.
Ele tenta inutilmente impedi-la mas está um pouco tarde, 
ela se queimou com o fogo, 
ela lembrou de seu calor, ela chorou, ela gritou,
agonizou perdida em saudade.
Sem saber o que fazer sem ele.
Os remédios que deveriam ser antes para aliviar a dor, 
agora serão para terminar com a dor.
Ele se condena, pelo fato de que pode ser culpa dele,
o fato dele não aguentar mais um segundo longe,
e isso a estar afetando,
mas esta tarde e ela vai ao seu encontro.
As convulsões começaram, seu coração hora acelera, hora acalma.
E tudo começa a parar,
o ultimo suspiro, em companhia da ultima lágrima de dor.
Ela perde seu físico, clama por seu espírito, e se liberta.
E quando consegue acordar ela pode ve-lo, 
ela pode senti-lo, e o amar.
Ele chora, e não entende o porque,
ela olha para a marca de seu sangue no chão.
E ele pode entender.
Perdas podem ser fatais, 
e viver na morte não se faz valer a pena.
Serão apenas agonias compartilhadas agora, 
na espera de poder tentar um dia de novo.

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